27 de abr. de 2008

Paz, eu quero paz
ja me cansei de ser a ultima a saber de ti
se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde
eu ja cansei de imaginar voce com ela
diz pra mim
se vale a pena amor
a gente ria tanto desses nossos desencontros
mas voce passou do ponto
e agora eu ja nao sei mais
eu quero paz
quero dançar com outro par
pra variar amor
nao dá mais pra fingir que ainda nao vi
as cicatrizes que ela fez
se dessa vez ela é
senhora desse amor
pois va embora por favor
que nao demora pra essa dor sangrar


A outra - Los Hermanos

25 de abr. de 2008

Sofia me deixou

Sofia me deixou. Me deixou e levou com ela meu sossego, minha calma. Levou meu sono. Há mais de duas horas que rolo de la pra ca entre esses mesmos lençóis contaminados com aquele cheiro suave doce, com aquela marca de batom rosado no travesseiro. As cortinas continuam sujas pelo amarelado da fumaça daquele mesmo cigarro de Sofia. Ela partiu e deixou tudo. Tudo mesmo. Até seu cinzero favorito em forma de girassol.

23 de abr. de 2008

Chora Isabella, chora ...

E mais uma vez, depois de passados vinte e quatro dias, liguei a TV e na legenda da reportagem um novo capitulo sobre a novela da pequena Isabella Nardoni.

Nessas quatros semanas o que escutamos incansavelmente é sobre o caso do pai que jogou (ou não!) a bendita (ou maldita, sei la) menina do sexto andar de um edifício de luxo. O assunto repercutiu mundialmente e foi exibido em programas de todos os gêneros: entretenimento, jornalismo, sensacionalismo, e programas de maiores e menores audiências - lembrando que a Coca-Cola para exibir um comercial de 30 segundos no horário nobre (horário do fantástico) gasta milhões pelo Merchant, enquanto os bonecos ganham 40 minutos de graça para contarem seu conto de fadas. Impressionante.

Depois disso fiquei pensando comigo sobre a capacidade do jornalismo sensacionalista de prender atenção do telespectador, como essas novelas da globo que demoram meses para exibir o ultimo capitulo revelando o vilão da trama, e enquanto isso enganam o telespectador com provas, suspeitos e pericias e ainda passam a novela inteira com a mesma pergunta “Quem matou fulano de tal ?...”

Tudo bem, eu concordo que foi uma barbaridade o que fizeram com aquela criança, ser arremessada de uma altura de 20 metros pelo pai (veja bem, ou não) é um absurdo! Mas ai eu me questiono: E as crianças que morrem todos os dias de fome, sem ter uma única migalha de pão pra comer ? E as que morrem todos os dias movidas pelo trafico crescente de drogas? E as outras milhões de crianças que vão para as ruas por serem agredidas por pais, mães, padrastos e madrastas? Quem vai responder quem foi o culpado pela falta de escolaridade daquela criança? Daquele infeliz?

As respostas para essas perguntas não são preocupantes. Afinal são todos pobres, e isso acontece diariamente. Já virou rotina. O brasileiro não gosta de rotina, gosta de novidade, coisa nova. Brasileiro gosta de prédio de luxo e não de favela. O brasileiro é um povo novela (o maior do mundo), o povo que cuida da vida dos outros, o que cuida da vida dos ricos.

Mas chega, tem hora que cansa. A menina onde quer que esteja não consegue se quer descansar. Deixe a menina ter paz. Se foi realmente o pai e a MÁdrasta, prende (diga-se de passagem - deixe que eles sejam muito bem tratados na prisão) e pronto. Acabou.

Chega de sensacionalismo na TV. Chega de novela da vida real. Chega de mistério e drama. Existe milhões de outras perguntas que aguardam com ânsia uma resposta, já parou para pensar quem vai respondê-las? Então...



Obs: Eu fico puta ! Eu, como milhares de pessoas, ja estou cansada dessa mesma história, mas justamente por causa desse jornalismo sensacionalista eu não consigo parar de acompanhar o caso ...

16 de abr. de 2008

Diálogo 2

- Vai me acompanhar por todo o tempo agora?
- Aham, vou.
- E posso saber o motivo?
- Sou sua única companhia agora.
- Mais e o medo?
- O medo? Esse foi embora e me trouxe unido com a certeza.
- A certeza da solidão?
- Sim Sim espertinha!
- Mas a solidão não é má?
- Nem sempre. Quando as pessoas me escolhem eu posso machucar ou não.
- Mas eu não escolhi viver com você.
- Escolheu sim, não se lembra?
- Não! Quando escolhi sua companhia?
- Escolheu quando mandou embora a amizade e amor naquela tarde cinzenta de um domingo. Conseguiu lembrar?
- Infelizmente sim. Mas eu gostava tanto deles. É que aquele dia eu estava tão brava, chateada que não queria ninguém perto de mim, mas era só aquele dia... Já sei ! vou pedir perdão a eles.
- Você não lembra que se esqueceu do perdão ha muito tempo também?
- Ai, é verdade. Mas eu não sei o que faço agora. Quero todos eles perto de mim novamente, me sentia tão mais alegre..
- Agora é tarde garotinha, devia ter pensado nisso antes. Não tem como voltar atrás ... Nunca mais.

Elo

E ontem eu descobri que algumas pessoas são realmente formadas por elos. Como se estivessem em uma violenta conexão, ligação, juntas em nó. Juntas como sem quere, mais por querer. Mesmo separado, separando, sempre juntas.

Juntas na distancia, ou na proximidade distante, naqueles casos em que perto só é possível sentir a quentura da alma de outrem, chegando bem próximo da sua. Abraçado deitado, experimentando apenas o puro efeito da paz. Corpos separados. Almas juntas. Sempre, até mesmo sem querer.

Pessoas entrelaçadas por um elo não se desatam jamais. Brigas, discussões, separações não significam nada e não ofertam chances de desprender esse nó. Afastamento até existe, mas com aperto no peito, solidão e sempre com certa gota de amargura.

É estranho pensar que mesmo odiando, esta amando. Mesmo evitando, a saudade permanece ao lado gritando. Que mesmo tão longe, está tão perto. O elo faz com que as pessoas se completem, se aperfeiçoem, e principalmente se aprimorem. Ele traz felicidade todo o tempo. Leva frieza, e uma infinidade de anseios pra bem longe do amor, da paz e da vida serena.

Agradeço por saber quem é meu elo, quem me completa e quem me faz feliz apenas pela existência. Por toda existência. Mesmo longe, sei quem vai me arrancar derradeiros e verdadeiros sorrisos por todo tempo.

Um elo não se escolhe, não se cria. Ele apenas existe. Aparece e é descoberto quando menos destinado. É possível que todos tenham um. Conhecido ou não.

Cedo ou tarde, quando conhecer uma pessoa, a pessoa certa, com certeza sentira que é aquela. É aquela que possui uma ligação com você, uma ligação dessa e de vidas posteriores também. Aquela que esta junto todos os dias, mas que você sempre almeja ver mais e mais. Aquela que deseja amar incondicionalmente todos os dias até o fim da longa vida. Aquela que te completa e que consegue ser a única a te dar a maior parte da felicidade do mundo.

23 de mar. de 2008

Diálogo

- Hey, quem está ai?
- Eu !
- Eu quem?
- Eu... O medo!
- Medo? Medo do que?
- Medo da solidão.
- Solidão?
- É, aquele medo que a gente tem de ficar só, sabe?
- Eu vou ficar sozinha?
- Não, eu vou estar com você.
- E vai me fazer companhia?
- Sempre que precisar.
- Estou precisando tanto !
- E eu estou aqui.
- Pode me abraçar então? ...

28 de fev. de 2008

to com saudades de postar no meu blog =(

12 de fev. de 2008

• ★ É preciso ter caos e frenesi dentro de si para dar à luz uma estrela dançante*.



Lá, bem ali, ao longe, vemos um homem, um homem com uma mente inteligente e também sensível. Observemo-lo. Talvez de certa feita tenha mirado profundamente o horror da própria existência. Talvez tenha visto demais! Talvez deparasse com as mandíbulas devoradoras do tempo ou com sua própria insignificância - pois não passa de uma partícula - ou com a transitoriedade e contingência da vida. Seu temor foi cruel e terrível até o dia em que descobriu que o desejo aplaca o medo. Por conseguinte, abrigou o desejo em sua mente e este, um competidor implacável, logo expulsou todos os demais pensamentos. Mas o desejo não pensa; ele anseia, ele rememora. Assim, esse homem passou a rememorar luxuriosamente Bertha, a aleijada. Ele deixou de olhar a distância, despendendo seu tempo rememorando milagres tais como o modo de Bertha mover os dedos, a boca, como se despia, como falava e guaguejava, andava e mancava. Logo, todo seu ser era consumido por tal insignificância. Os grandes bulevares de sua mente, abertos para o trânsito de idéias nobres, ficaram entulhados de lixo. Sua lembrança de ter outrora pensado grandes pensamentos foi se enfraquecendo até desaparecer. Seus temores também desapareceram. Restou apenas uma ansiedade torturante de que algo se extraviara. Intrigado, procurou pela fonte de sua ansiedade entre o lixo de sua mente. Assim o encontramos no momento atual, remexendo o lixo, como se este contivesse a resposta.


Caso tivesse te criado, conceder-te-ia melhor saúde e muito além daquilo que é bem mais valioso... e talvez um pouco mais de amor por mim (embora isso não tenha absolutamente a mínima importância) e o mesmo se daria com o amigo Rée. Nem contigo nem com ele consigo proferir uma só palavra sobre questões do meu coração. Imagino que não tens idéia do que desejo? - mas esse silêncio forçado é quase sufocante, porque gosto de vocês.


- ★ Irvin D. Yalom

1 de fev. de 2008

Nós dois ...

Abri os olhos num silêncio infindo, e por um instante só escutei o tic-tac do relógio despertador na cabeceira da cama. Ele marcava 4:17 da manhã. Demorei alguns segundos para reparar que você esta ali. Era você ? Era sua, aquela mão tão pesada e ao mesmo tempo tão delicada quando de encontro ao meu corpo?

Estávamos abraçados. Grudados. Colados. Sentia seu ressonar no meu pescoço com uma agitação sincronizada. E esse mesmo ressonar, fazia com que eu sentisse seu peito de leve subir e descer, subir e descer. As vezes mexia a mão de forma quase imperceptivel, mas continuava com ela ali. No mesmo lugar.

Seu braço apoiando meu pescoço e o outro entrelaçado aos meus, dava a sensação de que você me protegia de algo. Algo que nem eu, nem você sabíamos o que era. Nem ao menos se existia. Mas permanecíamos juntos. Você me protegendo e eu, protegida.

Virei-me e calmamente aproximei meus lábios dos seus. Coloquei minha mão nas suas costas e acariciei com toda delicadeza que podia, e de forma doce, com meus lábios ainda ali unidos, repeti diversas vezes para que você não deslembrasse nunca: te amo, te amo, te amo.

Te beijei docemente como se fosse a ultima vez. Não era a ultima vez, eu sabia. Mas beijei e olhei. Olhei por alguns segundos como se eu quisesse o gravar. Passei minha mão por cada pedacinho do rosto e meus dedos agora se misturavam com um punhado de cabelos seus.

Sem querer te acordei. Não era minha intenção. Mas olhar e não te tocar era improvável. Impossível. Queria cada pedacinho daquele corpo junto ao meu. Esperei que me desse uma resposta estupida. Mas não, levemente esboçou um sorriso e me abraçou com força, fazendo com que nossos rostos se tocassem.

Agora, conseguia escutar perfeitamente seu ressonar no meu ouvido, e bem baixinho me chamou e pediu pra eu ficar. Pra ficar sempre ali, sempre pertinho de você. Fui tomada por uma impressão boa, por uma paz e como resposta te abracei forte. Mais forte do que estávamos. E ali adormecemos. Mais uma vez. Juntos. Abraçados. Formando um só elo, dando nó. Dois corpos em um só.

"Não deixe que minhas erupções de megalomania ou que minha vaidade ferida incomodem você demasiadamente; e, se algum dia suceder que eu me prive de minha própria vida em um ataque de paixão, isso não deveria ser motivo de grande preocupação. Que fantasias tenho de você!.."


Quanto Nietzsche Chorou.