13 de jan. de 2008

you're really good in all ways ...

Sophia não acreditou quando encontrou o cara por quem era apaixonada na infância. Eduardo continuava lindo. E mesmo depois de passado tantos anos, ele tinha mantido todo seu encanto, que atraia as pessoas por inteiro. Conquistava por completo. O jeito único de olhar nos olhos continuava idêntico. Sempre dentro dos olhos. No fundo dos olhos.

Sentaram pra relembrar algumas histórias do passado, e de como eram felizes naquela época. De quando corriam atrás do outro nas brincadeiras, das conversas sem perversidade, da cumplicidade e dos bilhetes sempre apaixonados de Sophia. Ele confessou que tinha todos eles guardados em uma caixinha de madeira dentro do armário e que ninguém nunca tinha tocado em nada que pertencia ao passado dos dois.

Edu contou a Sophia que estava morando em Londres desde a época em que havia partido, descreveu a casa em detalhes, contou do jardim enorme e do cachorro labrador que vivia com ele. Contou dos seus dois empregos, que ocupavam uma boa parte do seu dia e contou também que estava casado e que seria pai no próximo verão.

Aquilo soou como algo completamente destrutivo dentro dela e extinguiu qualquer esperança de reviver o passado, talvez, pela ultima vez. Ninguém sabia qual seria a próxima vez que Edu pisaria em solo brasileiro. E a vida paterna junto com os dois empregos lhe custaria o dia todo, sem intervalos.

Passaram horas e mais horas conversando sobre tudo. Na maioria das vezes conversavam em inglês. Assunto nunca escasseava, e por mais que a noticia do casamento tivesse abalado Sophia, era visível que entre os dois rolava certo “entrosamento”.

Com a mesma empolgação de infância, ele a convenceu de ir até sua casa para que lhe mostrasse uma coisa. Era um livro de Paulo Coelho. Paixão notável de Sophia. Pediu que ela lesse apenas uma pagina. A página treze. Parece que a vida dela estava escrita naquela pagina, naquela pagina treze. Seus olhos se encheram de afeição e Sophia por alguns segundos ficou encostada ali, no conforto daqueles braços. No ombro de Edu.

Ela foi embora, mas prometeu que a noite se encontraria com ele no mesmo bar onde ficaram por horas conversando. Não havia outra coisa na cabeça dela que não fosse Edu e o passado arrebatador que tiveram. Queria tudo que haviam feito juntos de volta, mesmo sabendo que isso era hipotético. Improvável.

Na ultima noite de Edu no Brasil, ela o levou até sua casa para que também mostrasse uma coisa. Era uma carta. Uma carta daquele ultimo verão antes dele partir pra Londres, uma declaração, uma carta que mostrava todo o amor dela por ele, uma carta que nunca foi entregue.

Depois de ler e reler a carta uma dezena de vezes, Edu se entregou e deixou que os dois se unissem num abraço eterno, e a beijou incansavelmente. Deixou que seu coração articulasse a situação. Deixou que o passado invadisse seu presente. Deixou que Sophia o amasse. Amou e foi amado. Amou sem medo. Conseguiu amar, somente naquela noite.

Antes de partir, olhou dentro dos olhos de Sophia, entrelaçou seus dedos nos dela, apertou sua mão com força e em um tom meramente doce, falou “Girl, you’re good in all ways. EVERY WAYS!”. Deu-lhe um ultimo beijo e partiu.

Sophia nunca mais o viu. Nem conseguiu noticias. Talvez não volte a reencontrá-lo, mas sabe que tudo que passaram no passado e naquela ultima noite dele no Brasil, não será jamais esquecido. Tanto por ele, como por ela.

10 de jan. de 2008

ahhh Caio ...

"Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva pra Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo bem."

Caio F. Abreu

9 de jan. de 2008

beto;

Paz. Se não é isso que eu sinto, é um sinônimo disso. Paz tão grande que tenho vontade de ficar ali, esparramada entre aqueles braços minha vida inteira. Inteira mesmo. Sem sair dali, daquela tranqüilidade imensa e sem fim. Tranqüilidade que me leva a felicidade, a risos descontraídos e sem motivo. Felicidade que me leva pro mais belo. Sempre pro mais belo.

Tão belo que quando a mão dele vem de encontra a minha e entrelaça os dedos no meu, sinto uma infinidade de boas energias e parece que tudo de bom que existe no mundo esta ali. Concentrado em um ser. Naquele ser. Concentrado nele, somente nele.

Ahhhh, ele. Criatura que teve a disposição de me conquistar, de me deixar com uma paixão arrebatada. De me levar e não devolver. Ele ambiciona e consegue tirar de mim todos os sorrisos do mundo. Todas as lágrimas e sentimentos do mundo.

Como ele consegue? Como ele consegue dizer as coisas sempre de um jeito tão gentil, com tanto carinho?

Ele me faz querer partir com o vento. Partir e nunca mais voltar. Faz com que eu me sinta sempre protegida. Sempre abrigada. Ele me faz tão bem. Só faz bem. E aquele bálsamo que sinto quando estamos juntos, quando estou deitada entre seus braços, quando estamos em nó, conectados, ininterruptamente me traz alguma sensação delirante. Perfeita sensação delirante.


Estes são meus orgulhinhos :) Futuros Jornalistas.
Ahhhh faculdade...

4 de jan. de 2008

Sofia dançava festivamente ao som daquele velho rock’n’roll. Ria, ria e ria a cada nova nota que a fazia lembrar Raul. Raul, ahh Raul. Ele sim conseguia colocar um sorriso, por menor que fosse ele, no rosto de qualquer pessoa. Da mais triste a mais feliz. Da mais jovem a mais velha.

Raul era um rapaz bonito, mas não usava de artimanhas para seduzir e conquistar. Por mais que tentasse ser duro e às vezes meio rude, era inevitável que as pessoas ficassem apaixonadas por ele. Apaixonadas assim como Sofia...

7 de dez. de 2007

tarde demais ...

Era uma dor terrivelmente insuportável.
Abri os olhos e mal pude enxergar o que estava acontecendo ao meu lado. Conseguia escutar algumas vozes bem longe, como se quisessem desesperadamente me dizer alguma coisa. Não entendia nada.

Meio desnorteada tentei mexer meu corpo. Sem resultados. Alguma coisa me impulsionava para baixo, forçando meu corpo contra o chão. Meus braços estavam meio largados, mas também sem movimentos. Fui tomada por um desespero permanente. Tentei gritar, porém minha garganta, assim como o resto do meu corpo, não quis cooperar.

Demorei alguns minutos pra poder entender o que estava acontecendo. Sim, eu lembrei o que aconteceu antes que eu desmaiasse. Estávamos brincando muito, rindo, fazendo planos para a próxima viagem e bebendo, bebendo pouco. Inclusive Fábio, o motorista. Lembrei de ter pedido pra que ele andasse mais devagar, ele insistia que podia ter o controle absoluto do carro. Tentamos virar o volante antes que se chocasse contra o muro. Já era tarde.

Não sei por quanto tempo fiquei deitada embaixo das ferragens. Talvez uma eternidade. Algumas pessoas chegavam mais perto e perguntavam se estava tudo bem comigo, pior não poderia estar. Os bombeiros chegaram, mas não conseguiam mover qualquer coisa pra me tirar daquele lugar. Cada vez eu os escutava mais e mais distantes. Aos poucos tudo ficou em silêncio. Enfim acordei. Estava no hospital.

Uma enfermeira arrumava e controlava meus aparelhos. A dor no corpo ainda não havia cessado. Perguntei sobre as outras pessoas que estavam envolvidas no acidente, não obtive resposta. Ela apenas pediu que eu descansasse bem, logo saberia mais detalhes sobre. Tornei a fechar os olhos e dormi.

Meus pais estavam no quarto quando tornei a acordar. Quis saber o que tinha acontecido com todos os meus amigos e como batemos o carro, eles também se negaram a contar. Parecia que escondiam alguma coisa de mim, não sei bem ao certo. Ficavam desconcertados toda vez que perguntava. E eles realmente estavam escondendo. Pouco mais tarde, eles decidiram que era hora para que eu soubesse de tudo. Ninguém que estava no carro resistiu ao acidente.

A dor da perda foi pior do que qualquer dor sentida até aquele momento.

Fiquei naquele hospital por algum tempo. Tive algumas infecções e aos poucos fui enfraquecendo. Sabia que aquele seria meu ultimo dia. Pedi para a enfermeira que chamasse minha mãe que aguardava na sala de espera. Ela chegou no quarto e pude perceber sua profunda tristeza. Suas olheiras e seu rosto inchado não negavam que chorava incansavelmente por dias seguidos.

Ficou comigo até meu ultimo minuto. Às vezes eu a escutava rezando baixinho pedindo pra que eu saísse logo daquele lugar. Suas preces não foram suficientes. Abri os olhos e com todo restante de minha força segurei sua mão e pude dizer que a amava mais que tudo na vida. Ela ficou em silencio por alguns minutos, segurando seu choro. Quando levantou o rosto, olhou fixamente dentro dos meus olhos e apenas me pediu perdão. Meus dias no hospital, e na Terra, estavam chegando ao fim. Foi a ultima coisa que escutei da minha própria mãe. Um pedido de perdão. Fechei os olhos e nunca mais acordei. Queria poder perdoá-la, mas seu pedido foi tarde. Infelizmente tarde demais.




"você diz que quer uma nova chance, agora é tarde demais ..."

6 de dez. de 2007

será que posso ?

Sentia-me sozinha entre as paredes cor-marfim e os móveis antigos daquela sala. Minha única companhia era um cinzeiro de vidro cheio de bitucas e cinzas, um Lucky Strike pela metade, que a cada trago degustava com mais prazer, e alguns livros antigos de romance espalhados pelo tapete.

Meu vizinho insistia em repetir incansavelmente o vinil do Renato Russo, que dizia, também incansavelmente, que era cedo, cedo, cedo. Dei um ultimo trago no cigarro e apaguei com força no cinzeiro de vidro. Escutei você chegando. Fui até a porta de vidro que separava a sala, da varanda e pude te sentir. Senti você bem próximo de mim. Levantando meu vestido sutilmente, me acariciando de maneira quase imperceptível e arrumando alguns fios do meu cabelo da maneira mais sensível e carinhosa que existia.

Fiquei presa naquele momento. Naquela varanda. Não conseguia e não queria sair dali. Não sei por quê. Escutava seus sussurros, mas por mais que eu tentasse não conseguia entender qualquer palavra. Comecei a me sentir estranha. Uma série de arrepios tomava conta do meu corpo, eu te sentia por dentro dos meus cabelos. No meu corpo. Cada vez mais próximo de mim. Eu queria soltar gargalhadas, queria gritar, queria sorrir, queria chorar, mas eu estava tomada por aquela sensação. Uma sensação estranha.

Mas está tudo bem. Estamos bem. Tão bem que podia sentir seu beijo, seu abraço, seu toque na minha pele, podia te sentir mesmo sabendo que não estava ali. Podia escutar cada palavra mesmo sem saber seus verdadeiros significados. Podia passar dias naquela varanda, que continuaria tudo bem. Não sei onde esta agora, mas sei que parte de mim segue com você todos os dias. O tempo todo. Não sei pra onde e nem pra que.

O vento com toda sutileza leva cada dia um pedaço de mim, mas sei que deixa um pouco dele também. Sei que não está aqui comigo agora, mas posso senti-lo. Seu jeito de me beijar, de passar por mim, de tocar em cada parte do meu corpo, deixa-me cada vez mais sem rumo e apaixonada. Mas será que posso me apaixonar pelo vento? Ainda não sei...




"Quando você quiser ter alguém pra toda hora poder contar, eu estarei do seu lado pra te proteger..."

5 de dez. de 2007

bem longe da perfeição

Talvez eu seja realmente uma péssima filha. Talvez por querer sempre mais, sempre exigir demais. Talvez por esquecer aniversários, não estar sempre presente. Talvez por agir apenas por interesse, quando convém. Ou apenas por que na maioria das vezes sou simplesmente eu, sem mascaras, nem disfarces.

Talvez eu seja uma péssima filha por beber de menos, usar drogas de menos, sair de menos, fugir de menos. Talvez eu seja uma péssima filha por brigar demais. Brigar por uma liberdade que por mais que eu tente, tente, tente, nunca vem. Talvez eu precise de um pouco mais de rebeldia, um pouco mais de violência, um pouco menos de amor.

Talvez eu possa ser menos mimada, menos “vagabunda”, talvez eu possa arrumar um trabalho, ou uma ocupação decente. Talvez eu possa largar a faculdade dos sonhos para que os outros possam viajar e comprar futilidades. Talvez eu possa passar meu natal longe, minhas noites largada na rua. Talvez eu possa ter uma vida só minha.

Talvez foda-se o que eu sinto, talvez foda-se onde eu vivo. Nada é meu. Nunca nada vai ser meu. A casa não é minha, o carro não e meu, as palavras não são minhas. Nem a comida é minha. Será que a vida é minha ?

Talvez a filha do fulano seja perfeita, eu não. Talvez eu devesse esconder minhas vontades, meus sentimentos, meus sonhos. Talvez nada disso importa pra vocês, não é mesmo “pais perfeitos” ? Talvez se eu fosse o oposto de tudo que eu fui e do que eu sou até hoje, eu seria, finalmente, a filha perfeita pra vocês.


Eu poderia tentar, mas me desculpe. Não posso ser a metade do que querem que eu seja.






" Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo ..."



20 de nov. de 2007

leve frieza

manja quando você sente seu coração cada vez mais frio ? sinto-me realmente estranha, com um sensação que me incomoda. nada mais tem graça, ninguém tem mais graça. nunca fui assim, e às vezes penso se queria sentir tudo isso. talvez um pouco de frieza seja bom, mas não de maneira tão repentina. tão forte. nem chorar eu consigo mais. como aliviar essa dor, parar de me torturar sem querer ?







cada vez fica mais dificil expressar meus sentimentos. tá foda.

19 de nov. de 2007

Sinto-me sufocada, angustiada, agoniada. Não sei o que é esse vazio dentro de mim. Essa sensação que incomoda, que incomoda muito. Que incomoda tanto que às vezes chega a machucar. Um vazio que não se preenche, uma tristeza que parece inacabável. Uma vontade de sair pro mundo e outra de me trancar num quarto escuro. Sozinha. Alguém me salva?



Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão.
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos ...