9 de jul. de 2008

O que nunca pensei é que pudesse ser assim tão vazia uma casa sem um anjo. Dentro de mim existe alguma coisa que espera a sua volta, de repente, não sei se pela janela ou se aparecerá novamente no mesmo lugar. Para prevenir surpresas, tenho deixado sempre abertas todas as janelas e todas as portas.



Caio Fernando Abreu

Um conto qualquer sobre uma janela qualquer

Fiquei debruçada no parapeito da janela por várias horas. Percebi que ainda era possível ver um resto de chuva e pela janela era nítido o arco-íris entre as nuvens. Me perdi naquelas pessoas la fora, naquele vai e vem de estranhos e de coisas banais. Cheguei a contar as flores caídas no asfalto: era mais ou menos trinta, entre vermelhas e amarelas. Nem sei por quanto tempo me perdi. Raul tentou me olhar e novamente não conseguiu. Gritou mais algumas palavras, depois bateu a porta com força e nunca mais voltou. Até hoje nunca mais soube noticias de Raul.

Entramos em casa, joguei meu molho de chaves coloridos e cheio de chaveiros em cima de um aparador que ficava visível da entrada e direto olhei para o espelho que fazia parte do conjunto. Eu estava exausta, ligeiramente descabelada e Raul, continuava gritando. Também pelo espelho via aqueles lábios que um dia foram tão doces articularem palavras que não entendia, ou fazia questão de não entender. Apertei meus cabelos com força e me joguei no sofá. Tive paz por resumidos 2 minutos – o tempo de ele pegar um copo com alguma bebida qualquer e recomeçar. Lembro que reclamava tanto, reclamava de tudo. Deixei que ele continuasse gritando. Gritou, reclamou, resmungou – fez tudo parecido com se queixar. Nada era bastante o suficiente para deixar Raul calado. Faltava-lhe o ar, parava, respirava e começava tudo outra vez. Isso demorou horas. Eu-já-não-aguentava-mais-Raul.

Tenho que confessar que naquele dia eu havia abusado do uso de conhaque e cigarros. Nem sei se cigarros de nicotina ou de outras substâncias. A única coisa que queria era que Raul calasse a boca e me deixasse dormir. Mas não, ele insistia em ser um atormentador àquela hora da manhã. Escutava fragmentos de frases como louca, nunca mais, vergonhoso e sem limite. Deduzi que ele poderia estar deveras irritado devido ao meu estado, sinceramente, deplorável.

Repeti incansavelmente um ta-bom-tudo-bem-raul, mas ele também incansavelmente continuou berrando aquele mesmo sermão de mãe. No momento senti uma sensação estranha e corri para o banheiro. Consegui botar pra fora tudo que ingeri na noite anterior – e olha que não foi coisa pouca. Limpei a boca na toalha branca que vi pendurada do lado do lavabo e depois joguei água no rosto diversas vezes. Quando consegui respirar, tomei coragem e fui novamente ao encontro de Raul. Ele estava sentado no sofá e por mais que tentasse não conseguia me olhar nos olhos. Caminhei até a janela e me sentei de uma maneira que era possível observar tudo. Estava uma linda manhã.

Fiquei debruçada no parapeito da janela por várias horas. Percebi que ainda era possível ver um resto de chuva e pela janela era nítido o arco-íris entre as nuvens. Me perdi naquelas pessoas la fora, naquele vai e vem de estranhos e de coisas banais. Cheguei a contar as flores caídas no asfalto: era mais ou menos trinta, entre vermelhas e amarelas. Nem sei por quanto tempo me perdi. Raul tentou me olhar e novamente não conseguiu. Gritou mais algumas palavras, depois bateu a porta com força e nunca mais voltou. Até hoje nunca mais soube noticias de Raul.

tá na hora de atualiza isso aqui né?

Hey geeeentee;

Quanto tempo sem atualiza e QUANTA coisa aconteceu. Uma delas é que matei quem estava me matando - na verdade não matei, arranquei (o dente do Siso). E, diga-se de passagem, faz dois dias e duas noites que só sinto minha boca latejar. Agora eu acredito quando as pessoas dizem que dói, e dói MUUITO.;

amanhã showzinho suabilis de funk como le gusta (se minha boca de kiko sumir) só com as meninas ! as mais loooucas do Brasil -- ADOOOOORO ! hahsausahsa :)

DEXA EU VER QUE MAIS, acho que só ! de mais importante, eu volto tá? =*

29 de abr. de 2008

* AMADO CAIO FERNANDO ABREU ...


- Mas nao seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar. Natural é perder.
- Linhas paralelas se encontram no infinito.
- O infinito não acaba. O infinito é nunca.
- Ou sempre.


trecho de "O dia que Jupiter encontrou Saturno"
Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu

27 de abr. de 2008

Paz, eu quero paz
ja me cansei de ser a ultima a saber de ti
se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde
eu ja cansei de imaginar voce com ela
diz pra mim
se vale a pena amor
a gente ria tanto desses nossos desencontros
mas voce passou do ponto
e agora eu ja nao sei mais
eu quero paz
quero dançar com outro par
pra variar amor
nao dá mais pra fingir que ainda nao vi
as cicatrizes que ela fez
se dessa vez ela é
senhora desse amor
pois va embora por favor
que nao demora pra essa dor sangrar


A outra - Los Hermanos

25 de abr. de 2008

Sofia me deixou

Sofia me deixou. Me deixou e levou com ela meu sossego, minha calma. Levou meu sono. Há mais de duas horas que rolo de la pra ca entre esses mesmos lençóis contaminados com aquele cheiro suave doce, com aquela marca de batom rosado no travesseiro. As cortinas continuam sujas pelo amarelado da fumaça daquele mesmo cigarro de Sofia. Ela partiu e deixou tudo. Tudo mesmo. Até seu cinzero favorito em forma de girassol.

23 de abr. de 2008

Chora Isabella, chora ...

E mais uma vez, depois de passados vinte e quatro dias, liguei a TV e na legenda da reportagem um novo capitulo sobre a novela da pequena Isabella Nardoni.

Nessas quatros semanas o que escutamos incansavelmente é sobre o caso do pai que jogou (ou não!) a bendita (ou maldita, sei la) menina do sexto andar de um edifício de luxo. O assunto repercutiu mundialmente e foi exibido em programas de todos os gêneros: entretenimento, jornalismo, sensacionalismo, e programas de maiores e menores audiências - lembrando que a Coca-Cola para exibir um comercial de 30 segundos no horário nobre (horário do fantástico) gasta milhões pelo Merchant, enquanto os bonecos ganham 40 minutos de graça para contarem seu conto de fadas. Impressionante.

Depois disso fiquei pensando comigo sobre a capacidade do jornalismo sensacionalista de prender atenção do telespectador, como essas novelas da globo que demoram meses para exibir o ultimo capitulo revelando o vilão da trama, e enquanto isso enganam o telespectador com provas, suspeitos e pericias e ainda passam a novela inteira com a mesma pergunta “Quem matou fulano de tal ?...”

Tudo bem, eu concordo que foi uma barbaridade o que fizeram com aquela criança, ser arremessada de uma altura de 20 metros pelo pai (veja bem, ou não) é um absurdo! Mas ai eu me questiono: E as crianças que morrem todos os dias de fome, sem ter uma única migalha de pão pra comer ? E as que morrem todos os dias movidas pelo trafico crescente de drogas? E as outras milhões de crianças que vão para as ruas por serem agredidas por pais, mães, padrastos e madrastas? Quem vai responder quem foi o culpado pela falta de escolaridade daquela criança? Daquele infeliz?

As respostas para essas perguntas não são preocupantes. Afinal são todos pobres, e isso acontece diariamente. Já virou rotina. O brasileiro não gosta de rotina, gosta de novidade, coisa nova. Brasileiro gosta de prédio de luxo e não de favela. O brasileiro é um povo novela (o maior do mundo), o povo que cuida da vida dos outros, o que cuida da vida dos ricos.

Mas chega, tem hora que cansa. A menina onde quer que esteja não consegue se quer descansar. Deixe a menina ter paz. Se foi realmente o pai e a MÁdrasta, prende (diga-se de passagem - deixe que eles sejam muito bem tratados na prisão) e pronto. Acabou.

Chega de sensacionalismo na TV. Chega de novela da vida real. Chega de mistério e drama. Existe milhões de outras perguntas que aguardam com ânsia uma resposta, já parou para pensar quem vai respondê-las? Então...



Obs: Eu fico puta ! Eu, como milhares de pessoas, ja estou cansada dessa mesma história, mas justamente por causa desse jornalismo sensacionalista eu não consigo parar de acompanhar o caso ...

16 de abr. de 2008

Diálogo 2

- Vai me acompanhar por todo o tempo agora?
- Aham, vou.
- E posso saber o motivo?
- Sou sua única companhia agora.
- Mais e o medo?
- O medo? Esse foi embora e me trouxe unido com a certeza.
- A certeza da solidão?
- Sim Sim espertinha!
- Mas a solidão não é má?
- Nem sempre. Quando as pessoas me escolhem eu posso machucar ou não.
- Mas eu não escolhi viver com você.
- Escolheu sim, não se lembra?
- Não! Quando escolhi sua companhia?
- Escolheu quando mandou embora a amizade e amor naquela tarde cinzenta de um domingo. Conseguiu lembrar?
- Infelizmente sim. Mas eu gostava tanto deles. É que aquele dia eu estava tão brava, chateada que não queria ninguém perto de mim, mas era só aquele dia... Já sei ! vou pedir perdão a eles.
- Você não lembra que se esqueceu do perdão ha muito tempo também?
- Ai, é verdade. Mas eu não sei o que faço agora. Quero todos eles perto de mim novamente, me sentia tão mais alegre..
- Agora é tarde garotinha, devia ter pensado nisso antes. Não tem como voltar atrás ... Nunca mais.

Elo

E ontem eu descobri que algumas pessoas são realmente formadas por elos. Como se estivessem em uma violenta conexão, ligação, juntas em nó. Juntas como sem quere, mais por querer. Mesmo separado, separando, sempre juntas.

Juntas na distancia, ou na proximidade distante, naqueles casos em que perto só é possível sentir a quentura da alma de outrem, chegando bem próximo da sua. Abraçado deitado, experimentando apenas o puro efeito da paz. Corpos separados. Almas juntas. Sempre, até mesmo sem querer.

Pessoas entrelaçadas por um elo não se desatam jamais. Brigas, discussões, separações não significam nada e não ofertam chances de desprender esse nó. Afastamento até existe, mas com aperto no peito, solidão e sempre com certa gota de amargura.

É estranho pensar que mesmo odiando, esta amando. Mesmo evitando, a saudade permanece ao lado gritando. Que mesmo tão longe, está tão perto. O elo faz com que as pessoas se completem, se aperfeiçoem, e principalmente se aprimorem. Ele traz felicidade todo o tempo. Leva frieza, e uma infinidade de anseios pra bem longe do amor, da paz e da vida serena.

Agradeço por saber quem é meu elo, quem me completa e quem me faz feliz apenas pela existência. Por toda existência. Mesmo longe, sei quem vai me arrancar derradeiros e verdadeiros sorrisos por todo tempo.

Um elo não se escolhe, não se cria. Ele apenas existe. Aparece e é descoberto quando menos destinado. É possível que todos tenham um. Conhecido ou não.

Cedo ou tarde, quando conhecer uma pessoa, a pessoa certa, com certeza sentira que é aquela. É aquela que possui uma ligação com você, uma ligação dessa e de vidas posteriores também. Aquela que esta junto todos os dias, mas que você sempre almeja ver mais e mais. Aquela que deseja amar incondicionalmente todos os dias até o fim da longa vida. Aquela que te completa e que consegue ser a única a te dar a maior parte da felicidade do mundo.

23 de mar. de 2008

Diálogo

- Hey, quem está ai?
- Eu !
- Eu quem?
- Eu... O medo!
- Medo? Medo do que?
- Medo da solidão.
- Solidão?
- É, aquele medo que a gente tem de ficar só, sabe?
- Eu vou ficar sozinha?
- Não, eu vou estar com você.
- E vai me fazer companhia?
- Sempre que precisar.
- Estou precisando tanto !
- E eu estou aqui.
- Pode me abraçar então? ...